sábado, 26 de novembro de 2011

A EDUCAÇÃO EM PLATÃO - Obra A República

Embora existam diferenças homéricas no que se refere a cultura, ao  tempo e espaço. Acredita-se que uma investigação sobre a educação em Platão em específico na obra A República, pode contribuir para melhor compreender a estrutura educacional formada no Brasil, por outro lado, não pretende defender a famigerada idéia de que aos gregos devemos tudo, tampouco existe a intenção de um retorno a Platão, o que poderia suscitar uma nostalgia de um tempo áureo.
Simplesmente pretende-se investigar essas duas estruturas educacionais distintas de maneira paralela, respeitando suas unicidades, e buscando apontar aspectos que se aproximam e ou distanciam e finalmente identificar questões essenciais na educação que se configuraram como problemas em Platão e assim como na educação contemporânea.
Desse modo este estudo será dividido em três partes: A educação em Platão, Estrutura educacional brasileira, Relações entre educação brasileira e Platão.

I parte - A educação em Platão

Pensar a educação superior no Brasil a luz da teoria da educação de Platão será realizada a partir de um olhar singular e sincrônico de uma mulher brasileira goiana que pertence a determinados grupos sociais, culturais e econômicos, haja visto a impossibilidade de pensar como um homem grego contemporâneo a Platão e ainda que isso fosse possível seria absolutamente anacrônico.
A universidade é um fenômeno medieval, no entanto, podemos pensar a Academia de Platão como precursora do que viria a ser a universidade, no que se refere não apenas a ensinar algo já existente, mas na possibilidade da pesquisa, da construção do conhecimento, da saída das aparências e na busca pelo conhecimento universal o qual busca a universidade.
A obra A República de Platão pretende pensar como deve ser a coisa pública a cidade e o governo ideal. Isso não implica inferir que Platão é utópico, pois ele não é, pelo menos não no sentido de utopia entendido como algo negativo próprio do senso comum senso comum. Mas como algo que ainda não existe e ainda que nunca venha a existir  mantem-se como um ideal no sentido de melhor. Algo que deve servir de norte de modelo, de ideal para o que se quer.
A República Platão não é utópica porque parte da realidade, de exemplos singulares e gradativamente vai se afastando desses modelos e a partir daí constrói o seu pensamento por meio de indução, isto é parte do particular para elaborar o geral.
 Assim, essa obra discorre sobre vários problemas da pólis, família, casamento, sexo, política, artes, justiça, a educação entre outros, mas os elementos da teoria do conhecimento de Platão é fundamento para as respostas esses problemas.
A teoria do conhecimento de Platão tem sua grande ilustração com a Alegoria da caverna desenvolvida no livro VII de A república, nessa alegoria o que é sustentado é a forma como o conhecimento humano se desenvolve passando progressivamente do mundo das sombras e das aparências, isto é, do mundo da doxa para o mundo das idéias das essências da verdade.  Buscando o mundo das idéias no qual se encontra o eterno e o imutável. Dessa maneira a função da educação é levar o homem a sair das aparências do mundo sensorial e mutante para alcançar as essências, o verdadeiro ser que é a contemplação da realidade pura. Assim a educação deve realizar a arte da conversão. Essa busca pelas verdades seria construída por meio de um  método dialético contrapondo as opiniões com a crítica para purificar os equívocos do mundo das aparências que são contraditórios.
A contemplação da verdade será alcançada por meio da educação e somente a essas pessoas que transcenderam os limites do sensorial ou seja, os que passaram pelo processo da educação,  lhes cabem a tarefa de  administrar a polis.
“aos que não receberam educação nem experiência da verdade jamais serão capazes de administrar satisfatoriamente a cidade” (519c)
A educação tem a função de levar ao conhecimento a verdade e isso se assemelha ao bem. Portanto quem conhece é capaz de reconhecer e realizar o sumo bem.
A educação em Platão tem a tarefa de relembrar conhecimentos que a alma traz de maneira inata, isso chama-se reminiscência cada qual traz conhecimentos inatos e esses conhecimentos é a virtude de cada um. As pessoas segundo Platão podem aprender e realizar várias coisas, no entanto, apenas uma coisa se pode realizar com excelência, ao realizar a função para a qual se nasceu , a pessoa é feliz e todos na polis ganham com isso, pois realizará as ações de maneira correta e todos ganharão e será alcançada a harmonia na polis. O individuo será feliz e todos serão felizes porque terá um serviço prestado com excelência.
Cada qual nasce uma com uma aptidão natural e a educação tem a tarefa de identificar quem nasceu para o quê.
“... cada um de nos não nasceu igual a outro, mas com naturezas diferentes, cada um para a execução de sua tarefa”. (370b)
Dessa maneira surge uma divisão social e de trabalho que é dada de maneira inata ao realizar esse inatismo a justiça será realizada na polis, dessa maneira surge a necessidade do estado e do convívio social, porque não somos autárquicos e não podemos nos prover de todas os serviços e bens  e a educação elucidará essas aptidões já existentes.
As aptidões inatas dividem a hierarquia social da seguinte maneira existem três classes sociais a saber as almas de ouro cuja virtude é a sabedoria  e a sua função na sociedade é a de administrar a república ou seja a coisa pública, essa classe entre todas deve ser a que mais estudou, ou seja deve ser o mais sábio. Esse grupo de pessoas não poderão ter bens ou acumular bens para evitar a corrupção e além do que somente podemos realizar uma coisa com excelência ou se é político ou se é agricultor.
A segunda classe social é formada pelas almas de prata, os guardiões, cuja virtude é a temperança, a obediência “devem ser brandos para com os compatriotas, embora acerbos para os inimigos”(375c) a função dos guardiões é militar devem fiscalizar a classe anterior, afim de verificar se não estou deturpando suas funções , como acumular bens e a classe seguinte dos concuspiscentes. Os guardiões devem cultivar o corpo e o intelecto assim também como a classe dos filósofos. Se dedicar somente ao físico vem o embrutecimento e cultivar somente o intelecto corre-se o risco de ficar efeminado e fraco. Por último as almas de bronze são os concuspiscentes formados por aquelas pessoas que se dedicam ao comercio e a produção de bens e serviços, esses são necessários e são o alicerce da polis no que se refere a sua estrutura e formação, deverão ser a maioria, pois um pequeno grupo será formado pelos guardiões e uma elite aristocrata deverão ser os dirigentes da cidade. As almas de bronze poderão acumular bens, no entanto não podem ficar demasiadamente ricos ou pobres, se ficarem ricos podem almejar uma ascensão social o que não é desejável em Platão haja visto que a mobilidade social leva a uma desarmonia pois não se pode fazer duas coisas bem cada qual deve se dedicar uma função para a qual nasceu. A pobreza por outro lado pode gerar insatisfações e violência.
A educação m Platão é fortemente influenciada pela estrutura educacional de Atenas e Esparta. Atenas se dedica as intelectualidades e sucumbe Esparta se dedica ao culto ao corpo e as ações bélicas e não tem melhor destino. Sendo assim, Platão mescla aspectos da educação ateniense do culto ao intelecto e da educação espartana do culto ao corpo.
Para falar da educação é necessário além da compreensão da teoria das idéias do conhecimento inato e da busca das essências e da formação do estado, é importante falar da estrutura familiar.
O casamento para Platão deve ser abolido, pois um casamento entre pessoas da aristocracia poderia ou não gerar filhos cujas apdoes naturais seriam ou não voltadas para a virtude da sabedoria. Dizendo de outra maneira dois almas de ouro podem ter filhos almas de bronze, no entanto os pais poderiam usar as sua influencias para colocar esses filhos para desempenharem funções para as quais não nasceram, dessa maneira seriam infelizes, incompetentes e dessa maneira a polis perderá a harmonia.
Assim, o sexo para a procriação acontecerá segundo a referendaçao do estado em dias determinados pelo estado onde todos se relacionarão com todos, os filhos nascidos fora desse prazo não teria o apoio do estado. Dessa maneira os pais não sabendo quem são seus filhos tratarão a todos como se fossem seus filhos e respeitando suas aptidões naturais sem pretender valorizar um em detrimento de outros por motivos passionais. Embora Platão sugira que o rei filósofo deve encontrar mecanismo para que a elite se relacione com a elite para que houvesse um melhoramento da raça uma espécie de eugenia.
O estado por volta dos seis anos assumiria a educação dessas crianças a principio todos receberiam a mesma educação e a medida que demonstrassem aptidões para uma áreas seus estudos seriam canalizados para essa área. Assim, quem se interessasse pela filosofia, política etc.. continuaria estudando, e quem demonstrasse facilidade e interesse pela agricultura e comercio receberia uma formação compatível com essa tarefa diferente daquela destinado aos que serão os reis filósofos e continuarão seus estudos por mais tempo.
Assim a educação tem papel crucial em Platão por que é ela que identifica quem nasceu para o que.


A alegoria da caverna é emblemática no sentido que ela serve como um modelo de sair das aparências e tem a figura de Sócrates como um ideal do que seria a função do professor.
Imaginemos a caverna como a própria Atenas os homens que la vivem os cidadãos atenieneses e o homem que sai da caverna é Sócrates. Ele transcende as aparências contempla o real e não se contenta em saber somente para ele, volta a caverna e pretende alertar aos outros sobre os limites da visão da caverna. Ele é mal compreendido e levado à condenação a morte. O papel de Sócrates é a tarefa do pedagogo do professor aquele que aprende e volta para conduzir os demais mesmo correndo o risco do outro não querer. o só sei que nada sei socrático consiste numa abertura ao conhecimento e a fala do outro dentro da perspectiva da maiêutica de não dar respostas mas levar o outro a dar a luz as suas própria idéias.

Ana Souto
Referencias bibliográficas
PLATÃO A República Coimbra, Fundação calouste, 2000

2 comentários:

  1. Ótimo texto, gostei da relações abordadas, na verdade me deu vontade de voltar à leitura desse livro.

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  2. interessante como a idéia dos "sábios" no poder influenciou a política no Brasil.

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