sábado, 26 de novembro de 2011

A EDUCAÇÃO EM PLATÃO - Obra A República

Embora existam diferenças homéricas no que se refere a cultura, ao  tempo e espaço. Acredita-se que uma investigação sobre a educação em Platão em específico na obra A República, pode contribuir para melhor compreender a estrutura educacional formada no Brasil, por outro lado, não pretende defender a famigerada idéia de que aos gregos devemos tudo, tampouco existe a intenção de um retorno a Platão, o que poderia suscitar uma nostalgia de um tempo áureo.
Simplesmente pretende-se investigar essas duas estruturas educacionais distintas de maneira paralela, respeitando suas unicidades, e buscando apontar aspectos que se aproximam e ou distanciam e finalmente identificar questões essenciais na educação que se configuraram como problemas em Platão e assim como na educação contemporânea.
Desse modo este estudo será dividido em três partes: A educação em Platão, Estrutura educacional brasileira, Relações entre educação brasileira e Platão.

I parte - A educação em Platão

Pensar a educação superior no Brasil a luz da teoria da educação de Platão será realizada a partir de um olhar singular e sincrônico de uma mulher brasileira goiana que pertence a determinados grupos sociais, culturais e econômicos, haja visto a impossibilidade de pensar como um homem grego contemporâneo a Platão e ainda que isso fosse possível seria absolutamente anacrônico.
A universidade é um fenômeno medieval, no entanto, podemos pensar a Academia de Platão como precursora do que viria a ser a universidade, no que se refere não apenas a ensinar algo já existente, mas na possibilidade da pesquisa, da construção do conhecimento, da saída das aparências e na busca pelo conhecimento universal o qual busca a universidade.
A obra A República de Platão pretende pensar como deve ser a coisa pública a cidade e o governo ideal. Isso não implica inferir que Platão é utópico, pois ele não é, pelo menos não no sentido de utopia entendido como algo negativo próprio do senso comum senso comum. Mas como algo que ainda não existe e ainda que nunca venha a existir  mantem-se como um ideal no sentido de melhor. Algo que deve servir de norte de modelo, de ideal para o que se quer.
A República Platão não é utópica porque parte da realidade, de exemplos singulares e gradativamente vai se afastando desses modelos e a partir daí constrói o seu pensamento por meio de indução, isto é parte do particular para elaborar o geral.
 Assim, essa obra discorre sobre vários problemas da pólis, família, casamento, sexo, política, artes, justiça, a educação entre outros, mas os elementos da teoria do conhecimento de Platão é fundamento para as respostas esses problemas.
A teoria do conhecimento de Platão tem sua grande ilustração com a Alegoria da caverna desenvolvida no livro VII de A república, nessa alegoria o que é sustentado é a forma como o conhecimento humano se desenvolve passando progressivamente do mundo das sombras e das aparências, isto é, do mundo da doxa para o mundo das idéias das essências da verdade.  Buscando o mundo das idéias no qual se encontra o eterno e o imutável. Dessa maneira a função da educação é levar o homem a sair das aparências do mundo sensorial e mutante para alcançar as essências, o verdadeiro ser que é a contemplação da realidade pura. Assim a educação deve realizar a arte da conversão. Essa busca pelas verdades seria construída por meio de um  método dialético contrapondo as opiniões com a crítica para purificar os equívocos do mundo das aparências que são contraditórios.
A contemplação da verdade será alcançada por meio da educação e somente a essas pessoas que transcenderam os limites do sensorial ou seja, os que passaram pelo processo da educação,  lhes cabem a tarefa de  administrar a polis.
“aos que não receberam educação nem experiência da verdade jamais serão capazes de administrar satisfatoriamente a cidade” (519c)
A educação tem a função de levar ao conhecimento a verdade e isso se assemelha ao bem. Portanto quem conhece é capaz de reconhecer e realizar o sumo bem.
A educação em Platão tem a tarefa de relembrar conhecimentos que a alma traz de maneira inata, isso chama-se reminiscência cada qual traz conhecimentos inatos e esses conhecimentos é a virtude de cada um. As pessoas segundo Platão podem aprender e realizar várias coisas, no entanto, apenas uma coisa se pode realizar com excelência, ao realizar a função para a qual se nasceu , a pessoa é feliz e todos na polis ganham com isso, pois realizará as ações de maneira correta e todos ganharão e será alcançada a harmonia na polis. O individuo será feliz e todos serão felizes porque terá um serviço prestado com excelência.
Cada qual nasce uma com uma aptidão natural e a educação tem a tarefa de identificar quem nasceu para o quê.
“... cada um de nos não nasceu igual a outro, mas com naturezas diferentes, cada um para a execução de sua tarefa”. (370b)
Dessa maneira surge uma divisão social e de trabalho que é dada de maneira inata ao realizar esse inatismo a justiça será realizada na polis, dessa maneira surge a necessidade do estado e do convívio social, porque não somos autárquicos e não podemos nos prover de todas os serviços e bens  e a educação elucidará essas aptidões já existentes.
As aptidões inatas dividem a hierarquia social da seguinte maneira existem três classes sociais a saber as almas de ouro cuja virtude é a sabedoria  e a sua função na sociedade é a de administrar a república ou seja a coisa pública, essa classe entre todas deve ser a que mais estudou, ou seja deve ser o mais sábio. Esse grupo de pessoas não poderão ter bens ou acumular bens para evitar a corrupção e além do que somente podemos realizar uma coisa com excelência ou se é político ou se é agricultor.
A segunda classe social é formada pelas almas de prata, os guardiões, cuja virtude é a temperança, a obediência “devem ser brandos para com os compatriotas, embora acerbos para os inimigos”(375c) a função dos guardiões é militar devem fiscalizar a classe anterior, afim de verificar se não estou deturpando suas funções , como acumular bens e a classe seguinte dos concuspiscentes. Os guardiões devem cultivar o corpo e o intelecto assim também como a classe dos filósofos. Se dedicar somente ao físico vem o embrutecimento e cultivar somente o intelecto corre-se o risco de ficar efeminado e fraco. Por último as almas de bronze são os concuspiscentes formados por aquelas pessoas que se dedicam ao comercio e a produção de bens e serviços, esses são necessários e são o alicerce da polis no que se refere a sua estrutura e formação, deverão ser a maioria, pois um pequeno grupo será formado pelos guardiões e uma elite aristocrata deverão ser os dirigentes da cidade. As almas de bronze poderão acumular bens, no entanto não podem ficar demasiadamente ricos ou pobres, se ficarem ricos podem almejar uma ascensão social o que não é desejável em Platão haja visto que a mobilidade social leva a uma desarmonia pois não se pode fazer duas coisas bem cada qual deve se dedicar uma função para a qual nasceu. A pobreza por outro lado pode gerar insatisfações e violência.
A educação m Platão é fortemente influenciada pela estrutura educacional de Atenas e Esparta. Atenas se dedica as intelectualidades e sucumbe Esparta se dedica ao culto ao corpo e as ações bélicas e não tem melhor destino. Sendo assim, Platão mescla aspectos da educação ateniense do culto ao intelecto e da educação espartana do culto ao corpo.
Para falar da educação é necessário além da compreensão da teoria das idéias do conhecimento inato e da busca das essências e da formação do estado, é importante falar da estrutura familiar.
O casamento para Platão deve ser abolido, pois um casamento entre pessoas da aristocracia poderia ou não gerar filhos cujas apdoes naturais seriam ou não voltadas para a virtude da sabedoria. Dizendo de outra maneira dois almas de ouro podem ter filhos almas de bronze, no entanto os pais poderiam usar as sua influencias para colocar esses filhos para desempenharem funções para as quais não nasceram, dessa maneira seriam infelizes, incompetentes e dessa maneira a polis perderá a harmonia.
Assim, o sexo para a procriação acontecerá segundo a referendaçao do estado em dias determinados pelo estado onde todos se relacionarão com todos, os filhos nascidos fora desse prazo não teria o apoio do estado. Dessa maneira os pais não sabendo quem são seus filhos tratarão a todos como se fossem seus filhos e respeitando suas aptidões naturais sem pretender valorizar um em detrimento de outros por motivos passionais. Embora Platão sugira que o rei filósofo deve encontrar mecanismo para que a elite se relacione com a elite para que houvesse um melhoramento da raça uma espécie de eugenia.
O estado por volta dos seis anos assumiria a educação dessas crianças a principio todos receberiam a mesma educação e a medida que demonstrassem aptidões para uma áreas seus estudos seriam canalizados para essa área. Assim, quem se interessasse pela filosofia, política etc.. continuaria estudando, e quem demonstrasse facilidade e interesse pela agricultura e comercio receberia uma formação compatível com essa tarefa diferente daquela destinado aos que serão os reis filósofos e continuarão seus estudos por mais tempo.
Assim a educação tem papel crucial em Platão por que é ela que identifica quem nasceu para o que.


A alegoria da caverna é emblemática no sentido que ela serve como um modelo de sair das aparências e tem a figura de Sócrates como um ideal do que seria a função do professor.
Imaginemos a caverna como a própria Atenas os homens que la vivem os cidadãos atenieneses e o homem que sai da caverna é Sócrates. Ele transcende as aparências contempla o real e não se contenta em saber somente para ele, volta a caverna e pretende alertar aos outros sobre os limites da visão da caverna. Ele é mal compreendido e levado à condenação a morte. O papel de Sócrates é a tarefa do pedagogo do professor aquele que aprende e volta para conduzir os demais mesmo correndo o risco do outro não querer. o só sei que nada sei socrático consiste numa abertura ao conhecimento e a fala do outro dentro da perspectiva da maiêutica de não dar respostas mas levar o outro a dar a luz as suas própria idéias.

Ana Souto
Referencias bibliográficas
PLATÃO A República Coimbra, Fundação calouste, 2000

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A BUSCA DE UM MUNDO MELHOR, A RESPONSABILIDADE DE VIVER E A DEMOCRACIA EM KARL POPPER

RESUMO: Todos os seres vivos buscam incessantemente um mundo melhor. A vida consiste em identificar problemas e propor soluções para melhorá-la. Nessas tentativas, eventualmente, incorre-se em erros que agravam a situação. Diante do erro surge imperativamente a responsabilidade para com o mundo no qual vivemos. A responsabilidade guiada pela razão utiliza todos os conhecimentos científicos disponíveis e busca verdadeiramente identificar os possíveis equívocos. A busca de erros em nossas ações guiadas pelo desejo individual e coletivo de um mundo melhor e a responsabilidade de cada um neste processo, encontram no terreno da democracia as condições favoráveis para propor e refutar idéias com liberdade, diálogo e sem violência. A teoria democrática de Karl Popper parte da idéia falsificacionista da ciência a qual é condição para as incursões do filósofo nas diversas áreas do conhecimento. Finalmente este trabalho pretende sustentar que existe inerentemente em todos os seres vivos o desejo de continuamente buscar um mundo melhor para se viver. Essa busca, diferentemente dos demais seres, atribui responsabilidades aos seres humanos, os quais devem por meio do racionalismo e do falsificacionismo propor reformas graduais para as melhorias sociais. Nesse ínterim a democracia é condição estrutural para um mundo melhor fundamentado na responsabilidade de cada um para com o mundo em que se vive.

Palavras-chave: Busca de um mundo melhor. Responsabilidade de viver. Democracia. Falsificacinismo. Refutação.


Karl Popper (1902/1994) nasceu em Viena. Estudou matemática, física e filosofia. Em 1935, devido à iminência da guerra, refugiou-se na Inglaterra. Em 1937 mudou-se para a Nova Zelândia. Em 1949 voltou para a Inglaterra onde foi professor na London School of Economics.
O contexto histórico de Popper nos remete a algumas questões interessantes para melhor compreender a sua filosofia.
Popper, ao escrever A Sociedade Aberta e os seus Inimigos, considerou esta obra como “esforço de guerra”. Lembrando que a partir de 1930, o filósofo testemunhou a degradação do clima político e a ascensão dos movimentos expansionistas da Alemanha nacional-socialista.
Popper inicialmente é marxista, mas abandona essas idéias depois da morte de colegas militantes por policiais em 1919, logo depois da Primeira Guerra Mundial (O pensador viveu entre as duas guerras a I Guerra 1914/1918 e a II Guerra 1939/1945). Este fato o leva a questionar se teria sido crítico o suficiente sobre a teoria marxista e responde que não! O fortalecimento dos movimentos totalitários dos anos 20 e 30 e a ascensão de Hitler na Alemanha fizeram-no pensar de forma sistemática sobre a democracia. É nessa perspectiva que ele se coloca como juiz dos acontecimentos históricos. Segundo o pensador, A Sociedade Aberta e os seus inimigos é uma resposta ao nazismo, é o seu esforço de guerra.
As respostas popperianas aos problemas políticos partem de uma análise histórica e filosófica que visa buscar os fundamentos que explicam as dificuldades do seu mundo e o motivam a dar explicações. [talvez fosse interessante deixar mais claro o percurso que leva a esta necessidade humana de buscar o melhor] Sendo que para ele:
 “Todo vivente busca um mundo melhor. Homens animais, plantas, e também organismos unicelulares, são sempre ativos. Eles tentam melhorar sua situação ou, ao menos, evitar uma piora. Mesmo em estado de sono ou em alerta, todo organismo esta ocupado em resolver problemas. E os problemas surgem das avaliações de seu estado e de seu entorno, que ele procura melhorar. (...) Assim a vida traz ao mundo algo totalmente novo, algo que antes não havia: problemas e buscas ativas de solução; avaliações; valores; tentativa e erro.” (Popper, 2006. p. 7)
Mas poderíamos inquirir se não destruímos nosso entorno com a nossa ciência natural? Para Popper, Não! Cometemos grandes erros sim – todo vivente comete erros. Pois é impossível prever as conseqüências não desejadas de nossas ações. Mas devemos aprender com o método da ciência natural da correção dos erros. (POPPER, 2006. p. 9)
Entre as nossas conquistas de um mundo melhor estão as democracias ocidentais que são mais abertas às reformas e mais justas, uma vez que diminuímos a miséria em massa. Outro aspecto é a reforma do direito penal. Anteriormente acreditávamos que as penas conduziriam a uma atenuação dos crimes. Quando as coisas não evoluíram desse modo, nós, não obstante, optamos por sofrer com crimes, corrupção, assassinatos, espionagem, terrorismo – a realizar a tentativa bastante questionável de erradicar tais violências e, com isso correr o risco de sacrificar inocentes.
Os críticos denunciam que a nossa sociedade é corrupta, embora admitam que a corrupção é por vezes punida. Essa crítica não abarca a alternativa que escolhemos. Preferimos uma sociedade que garante plena proteção legal até mesmo aos piores criminosos, de modo que não sejam punidos em caso de dúvidas. E assim preferimos essa ordem a uma outra em que mesmo os não-criminosos não encontram proteção legal e são punidos até mesmo quando sua inocência é incontestada.
 Essa escolha se assemelha a posição de Sócrates assumida em sua apologia, é melhor sofrer uma injustiça, do que cometer uma injustiça.
 Assim Popper propõe a democracia como a forma de governo. Lembrando que se buscamos um mundo melhor e temos honestidade intelectual, perceberemos facilmente na história que a democracia é a melhor forma de governo conhecida.
Dessa maneira a democracia emerge como excelente terreno para buscar melhores condições de vida. Os seres humanos naturalmente buscando melhorias por meio da linguagem, do racionalismo crítico, dos conhecimentos científicos, da honestidade intelectual e da tolerância por meio do diálogo, podem construir um mundo melhor tanto nas ciências naturais como na política.
 A estrutura[teoria] democrática popperiana é elaborada a partir de sua filosofia da ciência. Dessa forma falaremos brevemente acerca dessa filosofia para demonstrar o como se desprende a teoria da democracia da epistemologia.
A epistemologia de Popper sustenta que a não é possível a certeza, mas é possível aproximar da verdade por meio de um método que permite retirar ideologias e preconceitos. O processo para tal ação é buscar a objetividade do conhecimento “através do método científico”, o qual será guiado pelo racionalismo crítico. Para ele conhecimento é busca da verdade. Ou seja é a busca por meio de conjecturas e refutações de teorias explanatórias, objetivamente verdadeiras. Buscar a verdade não pode ser entendido como busca de certezas. É um chavão, mas diz Popper: errar é humano.
Todo conhecimento humano é falível e, portanto, incerto. Desse modo buscamos a verdade incessantemente indo contra os erros, mas tendo em mente que podemos estar errados! A pergunta crucial para Popper é: qual é a verdade a respeito deste assuntos?, E não Quais são os seus motivos ou quem é o ator que fala por detrás dessa fala. Pois a teoria é sempre holofote é uma abordagem fragmentada do todo. Assim o que importa é perguntar pela veracidade da teoria combatendo o erro e a ignorância.
Combater o erro significa buscar a verdade objetiva que é a teoria mais compreensível e a que mais explica. Eliminando inverdades, essa é a tarefa da atividade científica.
Uma teoria aumenta o seu grau de cientificidade na medida em que explica o fenômeno com maiores detalhes, na medida em que diz especificamente e objetivamente o que irá ou não ocorrer. O critério de cientificidade está ligado a idéia do falsificacionismo que consiste na possibilidade da teoria ser falseável em algum momento. Teorias que não são passíveis de serem falseáveis não podem ser científicas. Embora o critério de cientificidade não implique necessariamente em critério de verdade. Teorias podem ser científicas e não serem verdadeiras ou vice-versa.
A ideia de cientificidade esta ligada ao critério de criticabilidade ou crítica racional. A criticabilidade nas ciências empíricas ocorre mediante a refutabilidade empírica da experiência, lembrando que a experiência refuta a teoria, mas não a confirma de modo definitivo.
Popper sustenta com Einstein que o melhor destino para uma teoria é a refutação porque desse modo o conhecimento avança.
Compreendida a idéia de cientificidade em Popper, devemos levar essa atitude científica de busca de conhecimentos para a política e a democracia.
Assim como nas ciências, o pensamento deve ser sempre aberto e avançar por meio do conjecturar e refutar as teorias tendo em vista a experiência. Sem nunca se fechar em um modelo sistêmico.
Também a política deve se pautar na conjectura e refutação tornando assim uma sociedade aberta em oposição as sociedades fechadas. As sociedades fechadas estão ligadas as idéias totalitárias. Sociedade fechada para ele, é um sistema político cujos ordenamentos e decisões políticas se legitimam apelando à autoridade divina e à vontade das tendências históricas. Essa pratica se opõe ao racionalismo critico.
 Ocasionalmente existe uma tentativa de sair da sociedade fechada para a aberta. A primeira tentativa dessa natureza surgiu na Grécia, com Sócrates. Ao declarar que “nada sabia”, Sócrates tomou conhecimento da nossa ignorância, e permitiu ao homem vislumbrar uma sociedade determinada não pelo “dever ser”, mas pelo que deseja ser.
A proposta de Popper adota o método crítico nas ciências naturais e nas ciências sociais. Este método na política está ligado à tecnologia social fragmentária que substituirá o historicismo existente nas sociedades fechadas.
O método da tecnologia fragmentária faz das ciências sociais um instrumento político, a peça entre o planejamento total por parte do Estado e o liberalismo extremo.
A tecnologia deve substituir as profecias históricas usando todos os conhecimentos tecnológicos existentes, inclusive seus limites. A engenharia social fragmentada será a aplicação do conhecimento tecnológico na prática política para alcançar um fim.
O enfoque da engenharia pode melhorar os benefícios econômicos e sociais de um setor ou desestabilizar outros. A decisão será tomada pelos membros da sociedade e seus representantes políticos, esses, numa democracia, serão obrigados pela ameaça da rejeição a fazer o que a opinião pública ordena – mas o que é opinião pública? O filósofo diz que a opinião pública é algo em que todos podem influir, principalmente os filósofos. Mesmo condenando a filosofia dada pela tradição bastarda do racionalismo, que muito influenciou na história, Popper não condena a ação dos filósofos. Ao contrário, diz: “penso que os filósofos devem continuar a discutir os fins adequados da política social, à luz da experiência dos últimos cinqüenta anos. Em lugar de se limitar a discutir a natureza da ética ou do bem supremo”. (Popper, 1994)
Assim como não podemos controlar as conseqüências de nossas ações e tampouco antecipar as necessidades. O planejamento gradual permite que estejamos preparados para uma reação previamente analisada com menores impactos catastróficos.
O fator humano além de não poder, não deve, ser controlado e previsto. Pois de? toda tentativa de contê-lo emerge a necessidade de moldar homens e mulheres para a nova sociedade que se pretende. Tais moldagens alem do caráter violento nos impossibilita de julgar o êxito ou fracasso da empreitada. Caso o modelo social proposto não vingue, tão somente se dirá que ainda não estamos aptos a nela viver. Assim o modelo não poderá ser julgado. E essa impossibilidade de falsificação da teoria impossibilita dizer que exista um método científico sendo utilizado.
É impossível fazer um planejamento ideal e global. Pois o saber que dispomos provém de experiências parceladas e, quanto aos modelos utópicos que possamos elaborar, nós não dispomos de meios para testá-los e saber o seu valor. O utópico responde, talvez, que não pode precisamente aprender a não ser praticando, a título de experiência, para depois conquistarmos as mudanças globais. Essa visão é errada, porque o saber que se adquire pelas experiências fragmentadas já é muito importante. De outra parte, dado que uma mudança radical deve causar necessariamente grandes sofrimentos, o experimentador utópico será obrigado a silenciar pela força as críticas e se privará de uma fonte fundamental de informações. Sem condições de definir cientificamente o ideal, o utópico se reduz à fé religiosa e, para triunfar, na incapacidade de argumentar, ele só pode recorrer à violência.
O pensador utópico tem a certeza de possuir a verdade. Pensa ser possível superar o estágio da contínua correção das hipóteses. Porém, com essa crença ele retrocede para aquém do estado de correções que pretendia superar. Considerando a falibilidade humana, quem quer que se prive da possibilidade de descobrir seus erros, priva-se também da possibilidade de aprender e de obter algum êxito.
Opondo ao método utópico propõe uma política fragmentária, cujo objetivo não é o bem ideal, mas a eliminação de erros. Porque as nossas necessidades sofrem constantes alterações, o que torna impossível um projeto ideal e estático. A partir do momento em que se exclui a idéia de projeto ideal, o político tem a função de ser o “administrador de mudanças”. (O’Hear, 1997, p. 310) Essa administração deve buscar a sua própria crítica e assumir os erros. Entretanto, essa atitude não é freqüente entre os políticos.  Sustenta Popper: O político procura normalmente provar que não comete erros; eu sugiro que ele torne claro para si mesmo que ele, como qualquer ser humano, comete e deve cometer erros. Portanto, ele deveria procurar descobrir os erros o mais cedo possível, a fim de poder evitar suas más conseqüências o mais rapidamente possível. (Popper, 1994, p. 51, 52)
Popper exige responsabilidade intelectual para os filósofos, cientistas e políticos. Devemos reconhecer como Sócrates, que nada sabemos ficar atentos para não omitir erros e diante de indícios de erros devem-se rever as ações.
Sobre a proposta popperiana da prática política, Bryan Magee diz: Alguns podem dizer que isso é óbvio. Mas não é. A política real não funciona assim. Os processos mentais envolvidos não ocorrem com facilidade a muitos políticos; de fato, alguns têm sérias dificuldades em compreendê-los, mesmo quando explicados. Outros podem objetar que a abordagem é lenta. Não temos tempo para toda essa crítica. No entanto, entre todos os métodos políticos possíveis, é esse que tem a maior probabilidade de maximizar a extensão em que a mudança permanece sob o controle racional. Tentativas de abreviar processos de crítica quase forçosamente produzem mais erros. (O’Hear, 1995, p.312)
Na prática, a ação política deve ter claros os problemas, ouvir a crítica pública, respeitar os adversários, estar aberto às sugestões e reconhecer seus erros. Essa atitude faria com que os políticos tivessem uma melhor aceitação.
Popper rejeita a tese da existência de uma vontade da maioria, assim como a verdade retratada por essa voz. Para ele cada homem é único no seu voto e voz. Ao afirmar coisas iguais ou semelhantes, não significa que dizem coisas necessariamente sábias. De fato, podem ter razão ou não. Acreditar que o povo tem sempre razão é um equívoco. A vox populi, é um mito a respeito da voz unívoca. Acredita-se que a humanidade é um ser que merece ser adorado e portanto sua voz unânime deve constituir autoridade final. Acontece que isso é um mito. E aprendemos também a desconfiar da unanimidade.
A democracia proposta pelo filósofo rejeita a vontade da maioria, assim como a soberania no governo, porque isso equivale à questão clássica: quem deve governar? Assumir tal indagação implica em aceitar que existem pessoas na sociedade naturalmente aptas para governar. Para Platão o filósofo, para a monarquia o rei. Para Rousseau o povo.
Ao refutar os pressupostos da tradição democrática, Popper tem em mente evitar a tirania, substituindo a questão “quem deve governar”? Para a questão de como é exercido o poder?
A teoria platônica da justiça tem como centro de sua doutrina política “Quem deverá governar?” para Platão o governo pertence aos mais sábios e virtuosos.
Para Popper mesmo que o governante seja o mais virtuoso, ele poderá eventualmente decidir que o poder deve ser atribuído à maioria. Ou poderá delegar seu governo a outrem. Podendo também fracassar. Assim, não importa quem governe, mas como será esse governo. Até porque a exigência de Platão do Rei-Filósofo é desnecessária, pois são os filósofos que governam.  “Não oficialmente, é certo, mas na realidade. Isto ocorre porque o mundo é governado por idéias que devemos aceitar ou rejeitar”. (Popper, 1996, p.225)
Outro problema acerca da tese de quem deve governar, está em crer que algum poder é justo por natureza, e, se é justo por natureza, não necessita de controle. Para Popper o principal é ter mecanismos que limitem o risco do abuso de poder. Pois O Estado é tanto um mal necessário como um bem.
O Estado democrático, segundo o pensador vienense, caracteriza-se pela liberdade. Não interessa quem está com o poder, se proletários ou capitalistas. Será considerado democrático o governo que permitir mudanças sem derramamento de sangue por meio de eleições. Sabendo que poderá ser deposto, todo governo tenderá a ser bom. Embora a liberdade e a democracia não assegurem o sucesso do governo, devendo ser buscada constantemente. Ela permite que possamos agir de modo mais ou menos organizado e coerente. Mas para isso é mister a tradição democrática em vários sentidos, inclusive na oposição ao governo, a qual tem a função de fiscalizar quem está no poder.
A democracia Popperiana é institucional, é uma forma de governo na qual existe o “direito do povo de repudiar o governo”.  Sem uso da violência – esta só se justifica para assegurar, manter ou instaurar a democracia. Entretanto, seu uso extensivo deve ser evitado, uma vez que pode gerar situações que favoreçam a instauração de outras tiranias. A tirania que derruba a anterior é tão ruim quanto. Não importa se pertence aos capitalistas ou aos proletários.
Assim em Popper existem dois regimes a democracia definida pelo limite dos poderes pela troca de poder sem derramamento de sangue e a tirania que é o oposto.
Finalmente sustentamos que partindo dos pressupostos de que o racionalismo critico é próprio do homem em sua busca de um mundo melhor e tal racionalismo nos investe de uma responsabilidade para com o mundo em que vivemos. E que também o racionalismo fundamenta a ciência e a política. Assim o quadro institucional mais conveniente é a democracia. Pois permite debates e reformas. Lembrando que o conhecimento não pode ser exigido de forma absoluta de uma pessoa, pois somos todos passíveis de cometer erros. Por analogia, o poder, não poderá ser exercido de forma absoluta por uma pessoa ou instituição.
BIBLIOGRAFIA
POPPER. K. A Sociedade Aberta e os seus inimigos. Vol. I II. Liboa: Fragmentos, 1993.
--------------- Conjecturas e Refutações. Brasília: UNB, 1994.
--------------- Em busca de um mundo melhor. São Paulo: Martins Fontes, 2006.
---------------  La Responsabilidad de vivir. Barcelona: 1995.
SOUTO. Ana Kelly F. Popper. Goiania: Deescubra. 2006.
Ana Souto

domingo, 13 de novembro de 2011

A Teoria da ação comunicativa de Jürgen Habermas

 
Bases epistemológicas ou fontes teóricas principais



Lembrando o título da obra de Olgária Matos A escola de Frankfurt – luzes e sombras do iluminismo. As luzes do iluminismo brilharam tão intensamente que parece ter projetado sombras sobre o que veio posteriormente, o eclipse da razão, como disse Horkheimer.
 Depois do iluminismo a modernidade sofreu constantes ataques a sua estrutura. Tais ataques trouxeram a sensação de estarmos em um mundo sem sentido e justificação, o que nos conduziu ao polêmico debate da contemporaneidade, cujos grandes representantes foram os teóricos da escola de Frankfurt que elaboraram uma crítica a razão instrumental e, por conseguinte a sociedade industrial moderna.
A escola de Frankfurt ou o Instituto para Pesquisa Social surgiu em 1923 e foi marcado fortemente pelas condições políticas da época, como a ascensão do nazismo, A Segunda Guerra, O Milagre Econômico no pós-guerra e o stalinismo. Decepções históricas e esperanças revolucionárias como a Revolução Russa liderada por Lênin (1917) determinaram, em certo sentido, o matiz do pensamento dos frankfurtianos Horkheimer, Marcuse, Adorno entre outros.
Neste contexto surge a teoria crítica da Escola de Frankfurt a qual incorpora o pensamento de filósofos da tradição, tais como Hegel, Marx e Freud, e os coloca em tensão com os problemas daquela época, elaborando assim, em oposição a todo o pensamento da identidade, da não contradição, característico da filosofia desde Descartes, chamada pelos frankfurtianos Teoria Tradicional.
A Teoria Crítica de modo geral, acredita que a racionalidade que permeia a civilização industrial é podre em sua raiz, pois nasceu da necessidade humana de dominar a natureza, assim o capitalismo oriundo dessa sociedade é parte dos modelos fascistas de estado, assim pensava Horkheimer. Na obra Sociedade de uma dimensão, Marcuse diz que essa sociedade paralisou a crítica por meio do controle total, isto é, sem oposição. Tal sociedade regida pela tecnologia avançada a máquina produtiva se torna totalitária ao determinar as ocupações, habilidades e os comportamentos socialmente requeridos e também as aspirações individuais. De modo semelhante sustenta Theodor Adorno que a cultura contemporânea serve ao poder e impede à crítica a sociedade capitalista ao utilizar a indústria cultural para impor gostos, comportamentos, valores, necessidades, etc.
Percebe-se que esses pensadores nutrem certo pessimismo em relação à razão.  Ao contrário do artista espanhol Francisco Goya em sua obra O sono da razão, os frankfurtianos acreditam que a razão quando acordada igualmente produz monstros. Dessa forma o reencantamento pela vida perdido na tecnologia e no capitalismo poderá ser reencontrado por meio da arte.
Nessas águas emerge o pensamento de Jürgen Habermas, o herdeiro dos patriarcas da Escola de Frankfurt. Mas dessa herança, envolta em pessimismo o que permanece em Habermas de modo análogo parece ser o tema da Razão. Pois a razão e o projeto de modernidade recebem um tom mais otimista.
A teoria habermasiana localiza-se do ponto de vista epistemológico, e, segundo a compreensão do próprio autor, dentro da modernidade, levando-nos a concluir que suas bases fundamentais são de fato os fundamentos epistemológicos do pensamento moderno. Assim o ponto de partida para a compreensão desse pensador é uma análise do que se configurou chamar de pressupostos do pensamento moderno. A saber, a razão, liberdade, igualdade e agir humano.
Ao retornar as bases teóricas do pensamento moderno, um leitor desavisado pode ficar confundido ou com dificuldades de onde Habermas buscou os elementos para construir os conceitos teóricos, sobretudo o conceito de Ação Comunicativa, devido à densidade do seu pensamento e o amplo espectro de autores considerados clássicos do pensamento moderno por ele revisitados. Em suas obras por nós conhecidas são citados mais de 100 clássicos do pensamento moderno, muitas vezes retomando pensadores da antiguidade para discutir a configuração da própria modernidade, como por exemplo, o faz em sua obra Mudança Estrutural da Esfera Pública, para justificar a decadência da Burguesia e o deslocamento ocorrido entre o mundo do trabalho e o mundo da interação social.
Devido ao escopo do trabalho nos limitaremos a vislumbrar algumas das fontes epistemológicas dos temas e conceitos habermasianos em relação à tradição filosófica. Além da referência a Escola de Frankfurt, nos remeteremos Kant, Emile Durkheim,George Herbert Mead , Max Weber, Edmund Husserl, Talcott Parsons, Karl Popper e John  Searle.
Habermas ao elaborar sua filosofia, mantém alguns conceitos retirados da tradição filosófica, reformula outros, mas também elabora  conceitos próprios. Sua teoria emerge de diversas leituras de autores díspares. Ele cria uma conexão lingüística entre as formas mais desenvolvidas e mais refletidas das ciências sociais e os princípios filosóficos atuais, a intenção desse método proposto por Habermas, é tornar compatíveis linguagens teóricas distintas, segundo Reese-Schäfer. De acordo com esse estudioso da teoria habermasiana, os maiores equívocos cometidos em livros, artigos e conferencias sobre Habermas é não desenvolver a compreensão sobre o método se limitando a análise de figuras teóricas.
Com esse método Habermas elabora um verdadeiro sistema filosófico no qual analisa diversas áreas do saber como, comunicação, direito, epistemologia, ética, política, etc. Além de permitir o desenvolvimento de reflexões acerca de outros temas não abordados diretamente por ele, como é o caso da educação.
 Ao estudar a filosofia do pensador percebe-se que ele fez filosofia não somente ao refletir sua realidade a partir de categorias filosóficas, mas também por elaborar seus próprios conceitos. Além disso, a sociologia tem destaque na obra deste filósofo.
Dessa forma o ponto de partida da filosofia de Habermas parece ser a aposta no Projeto de Modernidade em oposição à proposta chamada de pós-modernismo. [1]
O projeto de modernidade pretende promover uma nova situação depois dos ataques a razão pós-ilumuinista em relação à razão. Para isso, faze-se necessário segundo Habermas uma “compreensão correta da tradição do esclarecimento”. (HABERMAS, apud, BANNELL, 2008, 19)
A historicidade e a contextualidade da razão, geralmente associada a crítica pós-moderna, é na verdade um princípio modernista. Essa dimensão histórica e contextualizada da razão “somente pode ser compreendida corretamente se reconhecermos a chamada “virada lingüística” da filosofia contemporânea. Que consiste em um insight de que somos seres lingüísticos e nos encontramos sempre na cultura e no mundo e nunca fora disso.[2]
Para demonstrar aspectos das origens das bases epistemológicas em Habermas destacam-se alguns conceitos e suas origens.

O conceito de racionalidade
A racionalidade tem destacada importância para a teoria, ela é a disposição de sujeitos aptos ao diálogo e a ação. A principal influencia para compreender desse conceito é a relação dessa com os conceitos de  história e a teoria social  apropriados a partir das análises de Weber e Marx.
Max Weber (1864-1920) pensou o processo de racionalização das sociedades ocidentais em dois processos o desencantamento do mundo e a posterior racionalização. Com isso, diagnostica-se as patologias sociais oriundas desse processo, que levaram a modernidade a “jaula de ferro” devido ao domínio da razão instrumental. A qual converte todas as operações culturais a critérios de eficiência e sucesso. Com isso gera-se um afastamento da ética e seus valores. Pois na visão weberiana existem dois tipos de ações a racional orientada para fins e a orientada para valores. No entanto, a ação que visa fins impera nesse modelo social.
Habermas parte dessas idéias elaboradas pelo compatriota Max Weber, essa visão um tanto pessimista da razão é questionada por Habermas por negar a possibilidade de reflexão critica da sociedade, por impedir o controle dessa dimensão negativa de racionalização da sociedade. Evitando assim, qualquer empreitada de uma sociedade mais racional em um sentido positivo orientada para a emancipação humana.
Dessa forma Habermas busca demonstrar que weber ao falar do desencantamento do homem ocorrido na idade média e a substituição deste modelo pela da racionalização das estruturas.  Ele se esquece que existe também a racionalização da ética e da cultura e não somente do poder. Assim utilizando a dialética Habermas também se opõe a Marx ao entender que o motor da evolução social é a produção e que o ato autogenerativo da espécie humana é o trabalho. Enquanto que para Weber esses equívocos, a saber, a não consideração da ética e da cultura, levaram a uma sucessão de enganos.
Por enquanto o conceito de racionalidade  apareceu mais no sentido de sobre o que se dá o processo de racionalização, poder ou cultura e ética. No entanto, o aspecto epistemológico, ou seja, o como ou onde ocorre a razão na teoria de Habermasiana remete ao pensamento de Kant. A construção do conceito de razão no filósofo em questão insere-se no espírito da crítica da razão kantiana, mas agora concebida como crítica da razão impura. O conceito central aqui é a reflexão principalmente a auto-reflexão da teoria sobre si mesma, ou seja, sobre suas próprias condições de possibilidade. Segundo Habermas essa nova configuração da razão Poe ser entendida como uma revitalização da noção kantiana do fato da razão.  (BANNELL, 2006)
O conceito de mundo da vida
O Lebenswelt é um conceito é emprestado da fenomenologia de Edmund Husserl (1859-1938) para este filósofo o mundo da vida é uma realidade rica, complexa que o próprio homem constrói, mas é também construído pela historia, linguagem, cultura, valores. No entanto por ser realidade não se pode entender como experiência sensível, pois é um ato de consciência e se refere ao mundo pré-científico e não pode ser entendido como um mundo das ciências físico objetivas. É um mundo a priori das ciências com o horizonte aberto ao futuro. O oposto de mundo da vida para Husserl é o mundo da tecnociência o equivalente para Habermas será o mundo do sistema. Para sair do niilismo gerado pelo capitalismo,  tecnologia, etc  que remete ao mundo do sistema, Habermas aposta no Lenbenswelt como um lugar para se construir um télos que se dará pela via da comunicação.
Aqui parece surgir na teoria habermasiana outra interface com a filosofia do  austríaco Karl Popper (1902-1994). Embora a influencia se apresente quase que na negação ao pensamento de Popper, Habermas foi praticamente o único entre os frankfurtianos a se ocupar com as exigências de cientificidade propostas por Popper. Além disso, os tipos de ação proposto por Habermas, ação teológica, reguladora, dramatúrgica e comunicativa se dão numa relação ator/mundo. E nesse sentido, a teoria dos Três Mundos popperiana aparece ao lado dos conceitos de mundo da vida de Husserl e de Durkheim.[3]
Esse conceito é também inspirado em Durkheim (1858-1917) quando o sociólogo sustenta o mundo da vida com uma condição de existência na integração social e que os problemas sociais vividos pela sociedade européia eram e natureza moral e não de fundo econômico. Nesse sentido o sociólogo parece identificar um problema comum ao fenomenólogo. Tal pano de fundo é percebido por Habermas e ambas as teorias se articulam para sustentar o que ele pretende que é contrapor a ingenuidade desejada e refletida do dia a dia ao imperativo do sistema social de funções. A colonização do mundo da vida é o ponto nevrálgico do seu diagnostico crítico época da teoria do agir comunicativo.
Esse conceito enfatiza aspectos importantes para a teoria do agir comunicativo tais como linguagem, cultura e ética, desvalorizando, em certo sentido a ciência. Desse modo, percebe-se a introdução de outro conceito, o agir comunicativo.[4]
O conceito do agir comunicativo
O comunicativo difere-se do agir finalista da razão instrumental devido ao fato de trazer consigo o momento do entendimento da livre dominação. Tudo o que age de modo comunicativo tem quatro pretensões: validade, inteligibilidade, verdade ou correção. Esta teoria do Agir comunicativo de Habermas tem bases espistemológica em Austin (1911-1960) e Searle (1932) a partir de sua teoria dos atos da fala. Aqui a função fundamental da linguagem não é descrever reflexivamente o mundo, mas comunicar. Por isso, o importante não é a analise das frases, mas sim os proferimentos. Isto é,  atos de emissão de frases realizadas por falantes para ouvintes em situações concretas Cujo desenvolvimento foi realizado pelo seu John Searle e desse modo, influenciou o projeto de Habermas.
Segundo David Ingran, comentador de Habermas, pode-se dizer que o sociólogo norte-americano Talcott Parsons (1902-1979) seja o teórico que mais influenciou a Teoria do Agir comunicativo. No que se refere a visão da tradição sociológica que sustenta a teoria de Habermas e o vocabulário  em que está formulada sua concepção da sociedade em dois níveis e a defesa feita por Habermas da interdependência metodológica da teoria crítica e do funcionalismo estrutural.
O conceito do agir comunicativo nos remete a outro problema na Teoria do agir Comunicativo, a ética do discurso visa alcançar uma racionalidade de valores que devem permear toda a comunicação interpessoal que respeite o outro e que queira solucionar problemas.
 Para alcançar isso, Habermas recorre a George Herbert Mead, sociólogo e psicólogo norte-americano (1863-1931), que embora pouco conhecido tem uma importante obra. Seus estudos versa sobre a compreensão da relação indivíduo, a construção do (self)  e sociedade. Segundo Mead, a tarefa do cientista é entender odas as parte de um conflito e tornar possível o alcance de um acordo entre todos. Dessa forma a saída para a crise social estaria em uma reforma social racional, fundada em uma discussão publica da qual deve originar soluções que beneficie a tudo e todos. E não em encontrar meios econômicos para determinados fins.
Mead foi precursor ao elaborar o modelo intersubjetivo do Eu socialmente produzido. A consciência não é como havia sido compreendido na tradição filosófica desde Descartes até Husserl, mas algo originário, inerente ao sujeito, disponível a ele, mas sim um fenômeno gerado comunicativamente. Nesse sentido ocorre a virada lingüística para o sujeito. (BANNELL, 2008)
Enfim podemos dizer ao lado de Bannell,  que a filosofia de Habermas inicia já nos seus estudos de Schelling, Mead, Durkheim, Parsons, Popper, Weber, Kierkegaard, Hannah arendt,  quando muitos destes  ainda eram pouco conhecidos na sociologia da época. Acolhendo teorias distintas e buscando na medida das possibilidades integrá-los a se pensamento. Também se pode destacar que a teria da ação comunicativa foi igualmente construída pela crítica, pelos grandes debates como a Disputa do Positivismo (1961-1968), a discussão do fascismo de esquerda com Rudi Dutschke, a controvérsia Habermas e Luhmann (1971), a crítica da Pós-modernidade ( 1980-1985), a polemica dos historiadores (1986-1987), a critica ao nacionalismo do Marco Alemão (1989-1990), a disputa sobre a engenharia genética com Peter Sloterdijk (1999).
Por volta de 1958 Horkheimer escreveu  a Adorno criticando Habermas e solicitando que este fosse gentilmente conduzido a terminar seus estudos fora de Frankfurt, (foi para  Marburg). O teor da crítica referia-se sua genialidade e a sua negatividade crítica
Tudo isso justifica o Vive Le streit! Dito por Bourdieu em seu aniversário.




Referências:
                    BANNELL, Ralph I. Habermas e a educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.
COSTA, Claudio. Filosofia da Linguagem. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002.
MATOS, Olgária. A escola de Frankfurt – luzes e sombras do iluminismo. São Paulo: Moderna, 2003.
REESE-SCHÄFER, Walter. Compreender Habermas. Petrópolis: Rio de Janeiro, Vozes, 2008.
                   HABERMAS, Jurgen. Teoria de Ia acción comunicativa. Madrid: Taurus, 1999. Trechos selecionados.

HUSSERL. A crise da humanidade européia e a filosofia. Porto Alegre: EDIPUC, 2002.
SOUZA, Souza Renato. George Herbert MeadContribuições para uma psicologia social. Endereço: http://www.sapientia.pucsp.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=3980






[1] Entende-se sistema filosófico, simplesmente porque Habermas analisa diversas áreas, mas isso não implica em dizer que seu pensamento seja um sistema fechado que almeja explicar todas as coisas  somente a parir de um ponto. E é também por isso a notoriamente conhecido mundialmente como um dos maiores filósofos vivos, cuja obra nada deixa a dever aos demais filósofos da tradição.
[2] Em recente entrevista concedida em comemoração a seu octogésimo aniversário, Habermas reafirmou que o cerne de sua filosofia esta na virada lingüística.  (também chamado de giro lingüístico).
[3] A teoria do conhecimento de Popper considera a existência de  três mundos que formam a figura de uma pirâmide. O Mundo 1) é objetivo e constituído pelos objetos ( como os artefatos construídos pelo homem e os seres vivos) e estados físicos. O Mundo 2) é subjetivo e formado pelos conteúdos interiores (estruturas mentais) e conhecimento. Já o Mundo 3, embora seja  oriundo da mente humana, sua existência independente dos seus criadores. Ele é constituído pelos conteúdos de pensamento ou pelo conhecimento objetivo e faz parte dele toda a cultura humana, a saber, os mitos, as teorias científicas, os argumentos críticos, a matemática, etc.
 Desta forma, o conhecimento científico pertence ao mundo 3 pois uma vez que existência própria, é distinto do sujeito (a consciência que busca o conhecimento) e se concretiza em sistemas teóricos contidos em livros sendo, portanto, um tipo de conhecimento objetivo. Assim teorias cientificas dão válidas devido ao seu  efeito direto ou indireto no mundo 1 e independem dos outros dois mundos. Esta independência do mundo 3 pode ser explicada ao se considerar que embora estas teses sejam propostas pelo homem, elas geram conseqüências não-pretendidas e muitas vezes desconhecidas. Tal idéia difere-se do subjetivismo kantiano, O qual afirma que os problemas epistemológicos devem ser discutidos com base em uma análise de aspectos subjetivos do sujeito, levando em conta processos psicológicos do ato de pensar e não reconhecendo o conhecimento como dotado de existência própria.
Outro aspecto do pensamento popperiano que aproxima do de Habermas está a confiança no diálogo e na razão. Embora existam diferenças profundas na forma que isso correrá.


[4] Habermas fundamenta seu conceito de mundo da vida em termos de teoria da comunicação recorrendo aos manuscritos de Alfred Schütz. Este por sua vez  bebe na fonte de Durkheim e Weber.
 Ana Souto

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Por entre a arte e a filosofia: uma apreciação estético-filosófica

Relato de experiência:
POR ENTRE A ARTE E A FILOSOFIA: UMA APRECIAÇÃO ESTÉTICO-
FILOSÓFICA
Resumo
O relato mostra como podem ser utilizadas as tecnologias da informação e da
comunicação para o desenvolvimento de uma apreciação estético-filosófica,
transcendendo a mera busca de conteúdos. A proposta foi desenvolver a apreciação
estética a partir de uma relação dialógica com a atitude filosófica. Para isso, foram
utilizados recursos da internet, vídeos, ferramentas de tradução de páginas e o sítio do
Museu do Louvre. A atividade realizada com alunos universitários consistiu na
identificação de obras de arte presentes em revistas e nos registros das primeiras
impressões obtidas. A partir disso, foi utilizada a internet e o recurso de tradução, a qual
permitiu o acesso ao sítio do Museu do Louvre. Nesse ambiente, os alunos localizaram
diversos tipos de obras de arte. Dentre as obras observadas, algumas foram selecionadas
para a apreciação estética. A apreciação foi guiada por perguntas segundo as categorias
filosóficas. Finalmente foram retomados os primeiros registros agora confrontados com
os novos elementos dados pelas atividades. A síntese dessas análises culminou com a
instalação artística. A experiência evidenciou questões análogas a arte e a filosofia.
Palavra-chave: Filosofia. Arte. Apreciação estético-filosófica. Tecnologias da
informação e comunicação.
Primeiro Passo: Identificação
1. Conteúdo ou tema a ser trabalhado:
Entre a arte e a filosofia
2. Série ou nível de ensino:
Graduação em comunicação social -  3*  período.
Segundo Passo: Seleção de “página” da internet
3. Endereço eletrônico selecionado
1)http://www.youtube.com/watch?v=uEBb9nbFqbk&feature=PlayList&p=BA9835BC51E8371B&index=1
2)http://www.youtube.com/watch?v=NVXA0RbBot8&feature=PlayList&p=BA9835BC51E8371B&index=2
3) (a utilização deste tradutor será facultativo) http://translate.google.com/?sl=fr&tl=pt#

Terceiro Passo: Análise
4. Perfil da “página”:
(sim) Gratuito
(não ) Para acessar os conteúdos é necessário ser associado (pagar uma taxa)
(não ) Cadastra usuários
(não) Possui privacidade de informação
5. Qual a principal finalidade do site?
A principal finalidade do site é informar aos possíveis visitantes do Museu sobre todas as coisas que o museu oferece. Desde a localização, a origem do nome, da história da construção do prédio, dos jardins, a aquisição do acervo, exposições, livros, revistas do museu, lojas (que vendem réplicas das peças), divulgação de outros sites, recurso áudio visuais, palestras, cursos, datas, custos, horários de funcionamento entre outros. Além da especificidade do acervo no que se refere a pinturas, esculturas, objetos, etc. além de disponibilizar esses objetos catalogados de diferentes maneiras, de modo que se possa buscá-los por categorias de estilos, tais como pintura, escultura, etc. ou por origem grego, egípcio, etruscos...
Enfim a finalidade do site é instruir o futuro visitante sobre a importância de cada peça, de cada obra, transcendendo assim os famigerados 15 minutos de Monalisa. Além disso, o site aproxima aquelas  pessoas  que não podem ir pessoalmente ao universo ido museu pessoalmente.
O site do museu parece querer nos lembrar que embora os turistas sejam bem vindos, o museu é um lugar de aprendizagem.

6. Qual grupo ou indivíduo é responsável pelo site?
Direção de política publica e artística do museu é realizada pelo governo Frances por meio da união dos museus nacionais.
Para o desenvolvimento da internet /site do museu existe o apoio das seguintes instituições: Blue Martini software; LCL; Accenture.

7. Apresentação (Observe se a página utiliza barras de rolagens vertical ou horizontal, se as informações estão organizadas de forma que favoreçam a navegação, se formatação é agradável para leitura, se os links são realçados de forma adequada, se as informações são apresentadas de forma linear, se apresenta uma quantidade adequada de informações, como se dá a utilização das cores, das imagens. Enfim, como são utilizados os recursos para a apresentação do conteúdo e para a condução da navegação)
O site apresenta excelente disposição dos links, fácil navegação. As barras de rolagem surgem somente na vertical. Apresenta aspecto clean, não poluído visualmente, a cor clara em tom de rosa seco e um quase branco, embora sejam agradáveis, parece não aproximar o visitante virtual do palácio ao “clima”a “atmosfera”do museu tal qual ele é. Pois devido a sua antiguidade, parece ter aspecto mais sombrio, puxando para as cores amarela marrom e dourado.
Como o Louvre é o museu mais visitado, pois somente  em 2007 recebeu aproximadamente 8,3 milhões de visitas, o site surpreende negativamente  por apresentar versões somente em Frances, inglês, chinês e japonês.
Outro aspecto que deixa a desejar é a ausência de vídeos panorâmicos do palácio e a impossibilidade de maximização de todas as fotos. Ademais o site não apresenta recursos de áudio.

8. Conteúdo (Observe a correção, atualização, objetividade na apresentação do conteúdo)
As informações são consistentes e objetivas, fáceis de serem localizadas em janelas que surgem ao aproximar o mouse da figura. As atualizações das informações parece ser um ponto forte do site, pois traz a programação do museu para todo o ano de 2009 até 2010.
Quanto aos vídeos que serão utilizados, não me deterei em maiores considerações, mas é importante destacar que o apresentador das idéias no vídeo é o filósofo Paulo Ghiraldelli Jr. Este pensador da cidade de são Paulo, tem expressiva publicação em livros e organizações de obras. Assim como é o interlocutor de inúmeros sites de filosofia, tais como www.portaldefilosofia.br; http://ghiraldelli.wordpress.com/. No entanto, não vamos utilizar esses site, selecionando o vídeo direto pelo YouTube Parte dos conteúdos  são pagos outros não. Ghiraldelli  não está vinculado a nenhuma instituição em específico, embora dialogue e participe de inúmeras IES e jornais e revistas. Todos esses sites são de modo geral, bem elaborados e regularmente atualizados, tendo em vista a dificuldade em se ter essas qualidades em sites de filosofia.

Quarto passo: utilização didático-pedagógica
9. Apresente uma proposta de utilização da “página” selecionada em um contexto específico. Defina os objetivos, informe como a atividade será proposta aos alunos, enfim, descreva uma proposta de aula.
Tema: entre a arte e a filosofia
* É habitual o senso comum se perguntar para que serve qual a utilidade da filosofia, assim como também direcionam essas questões para a arte. No entanto, essas questões não são lançadas a medicina, a engenharia. Sendo assim, parece ser plausível que essas duas áreas guardem semelhanças entre si. Os museus, as obras de arte, assim como o texto filosófico parece estarem distantes da vida cotidiana das pessoas. Essa atividade pretende aproximar arte e filosofia e demonstrar que ambas falam da vida, da nossa vida, dos problemas da própria condição humana, sendo assim fala de todos nos.
Objetivos:
• Pensar a arte como atitude filosófica.
• Investigar como a arte pode se tornar filosofia.
• Analisar a utilidade em si mesma da arte e da filosofia.
• Compreender que a importância da arte ou da filosofia, se encontra em seus significados e compreensões.  Desprezando valorações sobre o bom ou mau gosto, assim como a irrelevância da concordância ou discordância sobre uma teoria.
• Conteúdo
A partir de conhecimentos filosóficos estabelecidos em aulas anteriores, como em que consiste a atitude filosófica, o discurso filosófico, a leitura de Foucault da obra “As palavras e as coisas” , texto que apresenta importante análise da obra de Velásquez “As meninas” e a leitura de Hegel.   Passaremos a assistir aos dois vídeos do professor Paulo Ghiraldelli. Esta aula terá o conteúdo dividido em três momentos:
I – Vídeo I – O que é arte?
Como é construída a arte.
Como se ganha o status de arte
O mundo da arte.
II – Vídeo II – O que é arte?
A arte e a finalidade
A arte e a filosofia
A arte e o questionamento
A filosofia e o questionamento
O artista e o filósofo
III – Com o tradutor Google será acessado a home Page do Louvre.
(o uso da ferramenta de tradução será facultativo)
1 Exploração livre do site por 5 minutos.
2 Retorno a página inicial.
3 Clicar em “obras” e depois em  Tópicos coleções e departamentos.
4 Nesta página são apresentados oito departamentos do museu com obras desde as civilizações antigas, idade média até a idade moderna.
5 Os alunos deverão navegar por esse ambiente e escolher uma ou mais obras. Sendo que essas deverão ser pensadas filosoficamente, com atitude filosófica,
6 Atitude filosofia: pensamento reflexivo e abrangente; pensamento autônomo; pensamento crítico; pensamento rigoroso,pensamento radical;abrangente; criativo.
7 A atitude filosófica deverá ser guiada pelas seguintes habilidades: observar bem; saber formular perguntas, formular hipóteses, estabelecer relações, auto correção, definir características essenciais, tradução de linguagens, etc.
8  Enfim os alunos deverão abordar questões problemas, ou seja,  questões de cunho filosófico utilizando categorias filosóficas para a análise e compreensão das obras e de possíveis problemas a partir de perguntas filosóficas. Tais como:
Perguntas da antropologia filosófica: o  que é ser pessoa? Como entender o ser humano no mundo? Como devem ser as relações das pessoas entre si, o que significa ser humano racional, social, emocional, cultural?
Conceitos da antropologia filosófica: pessoa, gente, humano, racional, irracional, respeito dignidade, outro, afetividade, comunicação, crescimento, desenvolvimento, natureza, trabalho etc.
Temas de ontologia: o que é o mundo? Tudo o que existe é mundo? O mundo é a realidade?  Do que é feita a realidade? Os pensamentos fazem parte da realidade? A escola a família faz parte da realidade?
Conceitos de ontologia: mundo, universo, realidade, real, aparência, concreto, abstrato, virtual, mundo, real, permanência, mudança, mundo social, cultural, etc..
Temas de teoria do conhecimento: o ser humano é um ser que pensa? O que é pensar? Ë possível pensar de forma adequada? O que o pensar faz?
Conceitos de teoria do conhecimento: pensar, ter idéias, formar idéias, conceito, entender, compreender, afirmar, negar, ajuizar, relações entre pensar e agir, etc..
Temas de ética: o agir humano é diferentes do agir dos animais? Em que difere?
Conceitos de ética: agir, ação, conduta, intenção, valer, não valer, preferir, justiça, bem, mal, liberdade, autoritarismo, escolha, certo, errado, etc.
Temas de filosofia social e política: porque as pessoas vivem juntas? O que é sociedade? Família?
Conceitos de filosofia social e política: sociedade, individuo, o outro, relações sociais, relações de poder, cidadania, convivência, deveres, direitos, etc..
Temas de estética: porque algo é bonito ou feio? Maravilhoso ou horrível? Porque os seres humanos produzem arte: pintura, escultura, literatura, poesia, musica, dança, teatro, etc? O que é arte?
Conceitos de estética: belo, feio, como se define o belo, o feio, critérios, sensibilidade, arte, varias formas, necessidade da arte, pessoas e arte, a arte e o mundo, criatividade, pensamentos, emoção, arte, fazer arte, etc.
 
Relato de experiencia apreentado no  - XVIII Simpósio de Estudos e Pesquisas da Faculdade de Educação

Saison de la Turquie au Louvre


Ana  Souto